Início Blog da Lena Saia-justa na aula de Matemática: o que você faria?

Saia-justa na aula de Matemática: o que você faria?

Há alguns anos fui chamada numa escola para fazer uma consultoria. O caso era o seguinte:

O professor de Matemática, depois de trabalhar o conteúdo sobre percentagem com uma de suas turmas, resolveu avaliar o aproveitamento dos alunos. Para isso, ele pediu que seus alunos se dividissem em grupos e fizessem uma pesquisa de opinião com os colegas para exercitar o cálculo do novo conhecimento. O tema das pesquisas era livre.

A maioria dos grupos apresentou temas do cotidiano. Tudo transcorria dentro da normalidade, até que um grupo formado por cinco garotas resolveu lançar a seguinte pergunta de pesquisa para os colegas: “O que as garotas gostam mais nos meninos: da cabeça de cima ou da cabeça de baixo?”

Acho que vocês podem imaginar o rebuliço que isso causou!

O professor, pego de surpresa, se sentiu acuado pelo tom provocativo e a evidente erotização do conteúdo. Não conseguiu lidar adequadamente com a situação. Constrangido, deu zero ao grupo, sem ao menos observar se as meninas tinham aprendido o conceito de percentagem.

E você, o que faria numa situação dessas? Te convido a refletir por alguns instantes antes de continuar a leitura…

Minha opinião

Claro que não há resposta fácil diante de um desafio como esse. Mas penso que este professor perdeu uma grande chance quando não levou em consideração dois pontos fundamentais:

1- Em nenhuma circunstância se deve perder o foco no objetivo do exercício e se certificar da aprendizagem do grupo. Ele simplesmente se esqueceu disso.

2- Considero que ele poderia utilizar a saia-justa como oportunidade para mostrar às garotas que existem nomenclaturas que são usadas no estilo coloquial e no estilo formal. Esse é um dos papéis da escola: indicar que existe hora e lugar para diferentes tipos de linguagem. E, claramente, sala de aula é lugar da linguagem formal… Então, para o exercício em questão, o professor poderia permitir que a pergunta fosse feita, mas deveria explicar que os termos utilizados deveriam ser cérebro e pênis (ou glande, mais especificamente). Talvez a própria reformulação da pergunta faria as meninas repensarem sobre a validade de seguir adiante com a proposta, não acham?

Com esta atitude, ele estaria fazendo as alunas – e toda a turma – conhecerem outra forma de abordagem sobre o mesmo tema, e ainda refletir e ressignificar  informações. Por meio desta experiência em grupo, o professor poderia preencher lacunas nas informações que os adolescentes têm, de tal forma que estas meninas jamais iriam esquecer esta aprendizagem. E o professor, por mais ranzinza que fosse, conquistaria a admiração delas!

Dê sua opinião abaixo! Aliás, me conte se você gostaria que a gente tratasse mais de situações em que a sexualidade aparece como tema transversal – algo que é assunto para todos os professores!