Início Blog da Lena Prevenção à gravidez: o que funciona – e o que NÃO

Prevenção à gravidez: o que funciona – e o que NÃO

A adolescência é um período cheio de transformações e descobertas. E a sexualidade é, sem dúvida, o que mais mexe com as cabeças e corpos de meninos e meninas. E é natural que a moçada experimente! Mas nossos alunos precisam perceber que isso também exige responsabilidade para não cair em armadilhas como a gravidez e as Doenças Sexualmente Transmissíveis.

A questão é: como falar sobre prevenção de maneira eficaz?

Com minha experiência na área, aprendi…

O que não funciona

Estudos sobre comportamento sexual na adolescência indicam que só a informação, pura e simples, não previne a gravidez. Ou seja: conhecer os métodos contraceptivos não garante seu uso, como mostrou uma recente pesquisa realizada com meninas pelo Programa de Saúde do Adolescente da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo.

É preciso buscar uma nova abordagem.

O que funciona

Penso que a melhor estratégia é despertar a motivação dos jovens.

O que isso significa: se por um lado o sexo é natural, a prevenção deve ser aprendida. E para colocá-la em prática, os jovens precisam estar estimulados a adotar um comportamento no presente em troca de benefícios para seu futuro.

Sei que não é fácil levar um jovem a trocar o “hoje” pelo “amanhã”. Mas é uma tarefa possível! Acredito que eles se tornam mais responsáveis à medida que percebem como a gravidez na adolescência pode impactar seus projetos de vida.

Não se trata, é claro, de adotar o discurso do medo. Mas é preciso mostrar que a adolescência não é o melhor momento para se ter um filho. É a fase da experiência, das descobertas pessoais, acadêmicas e profissionais, do início das definições de rumos para a vida adulta. Um filho na adolescência pode abreviar esse rico processo de amadurecimento. Devemos levar a turma a identificar como uma gravidez, neste momento, pode pôr obstáculos a seu maior sonho: o projeto de vida profissional.

No Instituto Kaplan, a instituição da qual fiz parte, essa visão inspirou a metodologia do Projeto Vale Sonhar, que promove a capacitação de professores de áreas técnicas das diretorias regionais de educação e coordenadores pedagógicos de escolas para que eles, por sua vez, formem os professores de Biologia para aborda esse tema.

Ao longo do projeto, aprendemos uma lição: é muito importante que os temas da sexualidade estejam presentes no currículo. Dessa maneira, as atividades com os jovens têm espaço garantido no cotidiano da escola e o trabalho do professor ganha mais consistência. Em São Paulo, por exemplo, a gravidez na adolescência está prevista no currículo de Biologia dos alunos da 1a ano do Ensino Médio.

O outro ponto forte deste projeto é a criação de uma metodologia lúdica e participativa com material específico para sua aplicação. Isto facilita a adesão dos professores e o envolvimento dos alunos. A utilização de um jogo com etapas definidas e conteúdo claro ajuda a fazer o professor perder o medo de falar sobre sexualidade com seus alunos. E os alunos, por participarem de um jogo que trata de questões de seu interesse, se sentem à vontade para conversar sem se sentirem expostos.

E você, professor, já participou de atividades desse tipo? Elas foram bem sucedidas? Conte pra gente nos comentários?