Início Blog da Lena Quando o menino vira pai: a paternidade na adolescência

Quando o menino vira pai: a paternidade na adolescência

Quando se fala de gravidez na adolescência, o primeiro pensamento é para a garota. É principalmente com ela que a sociedade se preocupa, é para ela que se direcionam todas as atenções. Essa atenção se deve a motivos relativamente óbvios: além da gravidez se dar no corpo da mãe, normalmente é sobre ela que recaem os cuidados e a responsabilidade com o bebê após o nascimento.

Um filho, porém, é feito a dois. E quando o bebê vem na adolescência, milhares de garotos também passam abruptamente das baladas e videogames para o mundo adulto, o mundo  da responsabilidade de criar um filho. No entanto, pouco ou nada se fala sobre o pai adolescente. Quem é? O que pensa? Qual é a sua relação com a mãe de seu filho? Qual é a relação com seu filho? Como se posiciona perante o futuro? Há um silêncio na sociedade sobre a paternidade na adolescência.  E fingir que esse problema não existe não contribui para solucionar o problema.

A paternidade

Quando um garoto se envolve sexualmente com uma menina, a última frase que ele deseja ouvir é: “Deu positivo! Você será pai!”.  E como a prática do sexo desacompanhada de métodos contraceptivos tem grandes possibilidades de resultar em gravidez, quando ela ocorre essa frase comumente cai como um balde de água gelada na relação do casal.  Diante do fato consumado, o jovem casal se vê obrigado a tomar decisões.

Muitos garotos, inseguros e amedrontados, tornam-se indiferentes diante das  namoradas grávidas.  Outros adolescentes querem exercer a paternidade, mas, vulneráveis economicamente, sofrem pressões de toda natureza, principalmente de sua família, para não assumir a criança que vai nascer.
A paternidade na adolescência é algo que pode e deve ser evitado, e a escola é um local fundamental para ajudar os garotos a tomar esta consciência. A adolescência não é o melhor momento para se ter um filho, principalmente para quem acredita nos próprios  sonhos e nas expectativas que criou para si.

A prevenção é a melhor opção

A prevenção ainda é a melhor atitude para evitar situações com o essa.  Para isso, meus caros professores, o jovem precisa entender que a prevenção da gravidez pode e deve ser uma preocupação dele também, não apenas da garota.

A única forma do garoto não correr o risco de ser pai num momento em que não pode e nem deve ter um filho, é usando camisinha em todas as relações sexuais. Se ele depositar este controle na mão da sua namorada, é ela quem vai decidir este momento. E esse pode não ser exatamente o momento que ele deseja. Portanto, o nosso papel como educador é desenvolver em nossos alunos  a motivação e a habilidade para usar o preservativo.

Para trabalhar a motivação, o melhor caminho que identifiquei ao longo de minha experiência foi mostrar para os alunos, principalmente aqueles que já estão no ensino médio, o impacto que a gravidez pode trazer nos seus sonhos e  projetos de vida.

Uma experiência que confirma isto é o projeto Vale Sonhar que desenvolvi com  a equipe do educacional do Instituto Kaplan.  Embora voltado para meninas e meninos do Ensino Médio, pudemos perceber que a conscientização dos meninos pode ter resultados mais efetivos do que nas meninas.

Incentive o uso do preservativo

E quanto a habilidade para usar a camisinha, a dica é sugerir que eles aproveitem o momento em que estão se masturbando para treinar a colocação do preservativo. Este momento em que eles estão sozinhos, sem sofrer nenhum tipo de pressão externa, é perfeito para aprender a lidar com a camisinha. Nos depoimentos que tenho ouvido dos garotos, só usa camisinha na relação sexual aquele que já automatizou o processo de colocação e não precisa pensar em como colocar o preservativo na hora “H”.