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Falar sobre higiene é o primeiro passo para um trabalho de prevenção eficiente

A chegada da puberdade causa uma grande revolução no corpo! Tudo muda. Braços e pernas se avolumam,  os seios despontam, os pelos aparecem, os genitais crescem e os cheiros se alteram, exigindo mais atenção e cuidado. E aí pode estar uma grande oportunidade para se trabalhar a autoestima e o conceito de prevenção em saúde sexual com os alunos.

Já fiz algumas consultorias para programas de Educação sexual em escolas e fico impressionada com a repetição dos temas trazidos pelas escolas todos os anos. Em uma das redes que visitei, o trabalho de prevenção às Doenças Sexualmente Transmissíveis com os alunos do 6º ao 9º se restringia a destacar a importância do uso da camisinha.

Falar de camisinha é importante, mas se a gente repete o mesmo conteúdo com o aluno em todos os anos, isso se torna contraproducente. Os conteúdos têm que estar adequados aos interesses e à capacidade cognitiva desses estudantes.

Nesse caso, sugeri abordar o tema da higiene corporal como introdução ao trabalho de prevenção com os jovens do 6o ano. No entanto, enquanto estávamos montando o currículo, uma das professoras me questionou:

– Isso não é para ser ensinado em casa? Eu fico constrangida de falar sobre isso com os meus alunos.

Expliquei que nem todo mundo tem a oportunidade de aprender a cuidar de sua higiene em casa. E quando isso acontece, os jovens podem se tornar vítimas da falta de informação, o que pode prejudicar diretamente sua autoestima. Além disso, acredito que prevenção e higiene são formas de autocuidado e, dessa forma, os alunos podem incorporar progressivamente alguns cuidados, evoluindo dos mais simples aos  mais complexos, como o uso da camisinha.

Desenvolvemos uma cultura em que falar sobre higiene é constrangedor. Minha mãe quando se deparava com alguém com mau hálito, por exemplo, dizia não ter coragem de abordar o assunto com a pessoa.

– Eu  sinto vergonha por ela – ela costumava dizer.

O cheiro é um estímulo sexual poderoso
Quem já não ouviu comentários de garotos e garotas que perderam o encanto por alguém porque a pessoa tinha mau hálito. Outro dia, ouvi de um aluno:

– O cheiro do suor dela era tão forte que o encontro foi “brochante”!

Isso sem falar do chulé, das espinhas e da oleosidade no rosto e no cabelo,  tão frequentes na adolescência.

Higiene é fundamental. Não só porque interfere na socialização e no interesse sexual, mas também porque é importante para a saúde. Inúmeras doenças, principalmente na pele e nos genitais decorrem da falta dela.

O primeiro passo para a prevenção
Cuidar da nossa higiene é o primeiro passo para ensinar alguém a se prevenir. Com uma brincadeira ou em uma roda de conversa, o professor pode fazer crianças e adolescentes entenderem que eles têm um corpo que tem dono: eles mesmos.

Esta chamada é muito importante para eles perceberem que a responsabilidade pelos cuidados com o próprio corpo é só deles, não pode ser delegada a outra pessoa. Outro ponto fundamental quando se trata da prevenção às DSTs.

Listo alguns conteúdos que não podem faltar na hora de falar com a turma sobre a origem das secreções corporais e como lidar com alguns odores mais significativos.

Corpo mal cheiroso
O ser humano possui glândulas sudoríparas responsáveis pela eliminação do suor, que  se tornam mais ativas a partir da puberdade. Esta secreção serve de alimento para as bactérias presentes na pele, principalmente nas áreas com mais pelos, como as axilas, provocando aquelecheiro desagradável de suor.

Há pessoas que têm uma maior concentração destas glândulas. Tudo depende da etnia e da genética. Mas, qualquer pessoa que pratica exercícios físicos ou passa muito tempo em ambientes quentes e fechados, acaba exalando mau cheiro. O suor se acumula sobre a pele e as bactérias “fazem a festa”, gerando um odor desagradável, que se impregna no corpo e na roupa. Para resolver esta situação desagradável, a receita é bem simples: banho todo dia. Ensaboar bem as axilas com água e sabão e aplicar um desodorante no local.

Chulé
O chulé é um odor causado pela proliferação de fungos e bactérias entre os dedos dos pés quando há excesso de umidade, geralmente provocada pelo suor. Essa umidade favorece o aparecimento de micose e fissuras entre os dedos, conhecidas popularmente como “frieira” ou “pé de atleta”. Quando isto ocorre, é inútil ficar colocando qualquer tipo de talco. É necessário que se use um fungicida.

Para evitar o chulé basta enxugar bem entre os dedos após o banho e usar sempre meias limpas e de preferência de algodão. Além disso, ajuda bastante, ficar descalço ou com o pé arejado sempre que possível e ainda alternar a utilização dos calçados.

Mau hálito
Existem muitas causas para o mau hálito: refluxo do estômago, inflamação na garganta ou nas amídalas, presença de resíduos de alimentos entre os dentes, cárie dentária ou inflamação da gengiva. Para prevenir ou resolver este incômodo, deve-se procurar um médico para poder tratar o problema de estômago, garganta ou amídalas, visitar o dentista pelo uma vez por ano para tratar ou prevenir as cáries, e principalmente, escovar bem os dentes após cada refeição, não esquecendo de usar fio dental.

Esmegma
É uma secreção esbranquiçada, parecendo leite talhado, que se acumula sob o prepúcio, nos homens, e ao redor do clitóris e nas dobras dos pequenos lábios, nas mulheres. O acúmulo de esmegma causa um odor desagradável e pode facilitar a ocorrência de infecção, tanto no pênis como na vulva. Para evitar esse desconforto e prevenir infecções, os garotos devem puxar a pele do prepúcio para trás e lavar a glande com água e sabão diariamente.  Já a garota deve lavar sua vulva  todos os dias e evitar usar calcinhas de tecido sintético.

E você, já abordou os cuidados de higiene com seus alunos? Conte-nos sua experiência!