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Você conhece o seu direito sexual?

Eu ultimamente tenho falado bastante sobre violência sexual. Esse fato é complexo e ocorre devido a vários fatores, mas um deles é a ignorância, o desconhecimento dos direitos sexuais.

Essa foi uma das percepções que tive essa semana, no meu momento, que eu chamo de “Refletir e Aprender”. Quando me perguntei: porque o descaso e a violência com a sexualidade? Porque, essa coisa maravilhosa que a natureza nos premiou não é levada a sério como as outras nossas funções do corpo, como dormir e comer, por exemplo?

Sexo é uma função natural do organismo humano. Todo mundo nasce com a capacidade para fazer sexo. E isso ocorre porque a relação sexual é a forma natural da perpetuação da espécie – a reprodução. Se, por acaso, o ser humano se reproduzisse de outra forma, nós não faríamos sexo… Já pensaram que tristeza seria?

Na Pré-história, época em que os serem humanos ainda não sabiam que era fazendo sexo que ocorria a gravidez, a atividade sexual acontecia de acordo com o instinto, como ocorre até hoje entre os animais de reprodução sexuada, como o gato, o cachorro…

Mas aí, com a evolução da humanidade (se vestir, tomar banho usando sabonete, usar calcinha…), a mulher deixou de espalhar no ar o odor estimulante e característico do cio e, em seu lugar, foram adotados símbolos e rituais de sedução que fazem parte do que passamos a chamar de erotismo. Ao invés do odor, surgiram outros estimulantes sexuais que despertam o desejo no outro (olhar, carícias, beleza, admiração, sensualidade…). Foi assim, que o ser humano deixou de fazer sexo conforme a natureza determina, para praticá-lo também de acordo com os sentimentos, emoções e valores.

A sexualidade faz parte da personalidade de todos, e se constrói por meio da interação entre o indivíduo e a sociedade. A sociedade impõe maneiras de como homens e mulheres devem atuar e se comportar sexualmente, e o indivíduo responde de acordo com sua genética, características físicas e capacidade psicoemocional.

Mas essa relação não é tão simples assim. Muitas vezes as imposições sociais podem ser muito difícil de atender, porque afetam diretamente satisfações básicas do ser humano, tais como desejo de contato, intimidade, demonstrar o que está sentindo, prazer, carinho e amor.

O avanço do conhecimento na área da sexologia, as descobertas científicas importantes (a pílula anticoncepcional, o funcionamento sexual do homem e da mulher, o teste de DNA) e as manifestações sociais como o feminismo e o movimento gay permitiram que se percebesse o quanto muitas imposições  sociais estavam atrofiando o desenvolvimento das pessoas e comprometiam a saúde sexual.

Assim, durante o XV Congresso Mundial de Sexologia, ocorrido em Hong Kong (China) em 1999, a Assembléia Geral da WAS (World Association for Sexology)  aprovou a Declaração de Direitos Sexuais com o apoio da OMS (Organização mundial da Saúde). Tais direitos refletem uma visão da sexualidade não apenas como forma de reprodução, mas como fonte de prazer e elemento importante no desenvolvimento humano e nas relações que você estabelece consigo mesma e com os outros, principalmente, os parceiros(as) amorosos.

Os Direitos Sexuais

  1. Direito à liberdade sexual
  2. Direito à autonomia sexual, integridade sexual e à segurança do corpo sexual
  3. Direito à privacidade sexual
  4. Direito à igualdade sexual
  5. Direito ao prazer sexual
  6. Direito à expressão sexual
  7. Direito à livre associação sexual
  8. Direito às escolhas reprodutivas livres e responsáveis
  9. Direito à informação baseada no conhecimento científico.
  10. Direito à educação sexual compreensiva (abrangente)
  11. Direito à saúde sexual