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Desejo Sexual – Liberdade – Sexo é Direito

Desejo Sexual

Desejo Sexual 

“A liberdade sexual diz respeito à possibilidade dos indivíduos em expressar seu potencial sexual. No entanto, aqui se excluem todas as formas de coerção, exploração e abuso em qualquer época ou situação da vida”.

Liberdade é o direito de uma pessoa agir segundo sua vontade. Mas, para falar de liberdade também é necessário levar em conta a responsabilidade, já que nossa vida está diretamente condicionada aos impactos que nossas atitudes provocam tanto pessoalmente, quanto no meio social do qual fazemos parte. Portanto, é fundamental que ao conversarmos com nossos filho sobre liberdade sexual, deixar claro que ser livre não significa apenas ter um desejo sexual e realizá-lo, é necessário perceber e valorizar o mundo que o rodeia para identificar e compreender as alternativas que pode escolher. Assim, liberdade pressupõe conhecimento e poder de tomada de decisão –autonomia. Dois elementos que os pais podem ajudar a desenvolver quando criam seus filhos para o mundo.

ONTEM

Durante milhares de anos o conhecimento sobre sexualidade era muito pequeno. Basicamente o que se pregava era a função do sexo como forma de procriação. As pessoas que resolvessem transar sem o objetivo de ter filhos eram severamente castigadas. Esta regra valia para ambos os sexos; mas a mulher foi mais reprimida e impedida de expressar o seu desejo sexual. Proibida de estudar e educada para obedecer, a garota era treinada desde cedo a ignorar seu corpo e o desejo sexual.

Durante muitos anos o valor de uma mulher era inversamente proporcional ao interesse sexual que ela demonstrava. Quanto mais puras fossem as atitudes, mais adequada era a moça para o casamento. Como o casamento era um negócio arranjado pela família, e, portanto, a vontade dos noivos não se fazia valer, o julgamento sexual era muito rigoroso. Uma garota que manifestasse qualquer intenção sexual era suspeita de desonra! Meninas tinham que ser virgens. A virgindade não era apenas a questão do rompimento do hímen. Virgem significava nunca ter tido nenhum tipo de intimidade sexual. Para se ter uma idéia, um beijo na boca, até, mais ou menos, uns 50 anos atrás, era uma intimidade que só poderia acontecer quando o casal estivesse de casamento marcado. E, se por um acaso este casamento não se realizasse, esta mulher, praticamente, não tinha nenhuma chance de conseguir um outro pretendente a marido. Estava fadada a ser solteirona! Uma mulher fracassada! Na minha terra, em Maceió, se dizia que a mulher ia para o caritó. Caritó é o tanque onde os caranguejos são colocados para engordar e depois, serem colocados na panela! Pois bem, para uma mulher solteira, antigamente, o destino era o mesmo: engordar e morrer!  

HOJE

Os anos se passaram e a história foi mudando. Guerras, novos descobertas científicas e movimentos sociais marcaram a conquista do direito da mulher em adquirir os mesmos conhecimentos do homem e possibilitou que ela ocupasse um maior espaço no mercado de trabalho.  Este fato mudou o horizonte da mulher. Agora, mesmo que ela não case, ela tem outros papéis na sociedade – professora, médica, engenheira, política, líder comunitária…  Além disso,  a facilidade de informação e interesses no conhecimento científico sobre a fisiologia do sexo e da reprodução, tem derrubando uma série de tabus e, principalmente, proporcionando o sexo sem o risco de gravidez, com a descoberta da pílula anticoncepcional nos anos 60.  Assim, o conhecimento sobre sexualidade e a autonomia de ambos os sexos desencadearam uma série de movimentos sociais – feministas, hippie, gays… – que levaram à conquista da liberdade sexual. Hoje, o jovem tem o direito de manifestar o seu desejo sexual, buscar informações sobre sexualidade, escolher seu namorado/ficante e decidir, sozinho (a), sem que haja a pressão do parceiro, ou mesmo do grupo, se deseja ou não fazer sexo.  Essa decisão, seus os filhos podem tomar em acordo com os valores dos pais ou não. Tudo depende da sua participação e na forma como educa seu filho para a sexualidade.   

Cada pessoa tem o poder sobre si mesmo e a responsabilidade sobre seus atos.